sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A minha passagem de ano


Este fim de ano foi fabuloso, sabes quando estas num estado incerto da tua vida, nada se passa, começas a entrar em rotinas e detestas rotinas... entao ate pensas que as tuas ferias nao tem nada de emocionante para te dar calor na hora de ir embora... apenas aquele ceu nublado entediante... que nao da calor, nem para aquecer a roupa quanto mais o coraçao...

E de repente entra algo na tua vida... assim mesmo pertinho de vires embora que muda tudo... apenas em dias enche-te o coração... enche-te a vontade de respirar a cada minuto... mas esta passagem de ano era um teste tao grande, nao apenas a quem me enche o coração mas a mim própria, um auto-teste que eu não tive aviso prévio...

Como faço sempre apenas decido em ultima hora onde passo a passagem de ano, e so queria ir a este sitio se alguem especial fosse comigo... por isso mesmo com todos os meus medos no auge nao deixei de ter a coragem de telefonar a fazer o convite... (foi uma sensação horrível, uma espera pela negação, uma ausência de pensamento em que breves momentos consegui parar o medo aquele grande receio da negação)...

Mesmo estando atormentada e guardando aquele friozinho na barriga durante todo o tempo fiquei exteriormente segura (e interiormente aterrorizada) que era uma decisão tomada... e assim foi...

E assim foi quando cheguei nem queria acreditar, o som, as pessoas... tudo tão estranho e tudo tão familiar...

Aquele mundo que eu sempre sonhei onde o egoísmo fica do lado de trás, onde os sorrisos são espontâneos, onde a vida flue no sentido mais puro da vida...

Aquele som que gritava por mim e que me pedia para apenas ser eu, libertar todas as amarras que eu tanto guardo, que tanto me prendem e me fazem sentir presa dentro de um corpo que é apenas meu, e que me fazem tanto lutar contra mim própria, sim acho que passei a noite toda a lutar contra essas amarras até que fiquei totalmente desamarrada... senti-me a flutuar num unviverso em que não há pesos para carregar, em que não há culpa nem preconceito... em que toda a gente sente a verdadeira essência da vida... o meu corpo vibrava a cada minuto como se pedisse mais e mais... sentia-se sedento da minha atenção e foi então que eu entendi que acabei de dar uma grande prenda a mim mesma (sim no outro dia estava toda partida, mas o meu corpo sorria), a prenda de poder estar sem amarras por uma noite... onde as minhas pernas, os meus braços, os meus pensamentos fluiam sem certo nem errado, sem "o que os outros tao a pensar" ou "que figuras estou a fazer"... foi o meu ser mais puro que se mostrou ali... sim aquele sitio onde todas as cores vibravam, e vibravam mesmo dentro de mim...

Sentia o magnetismo de subirem e descerem dentro de mim... até que chegou ao momento em que o cansaço era extremo... mas o meu corpo não se rendia, não parava, não conseguia parar, ele que gritava tanto por isso há tanto tempo... e eu nunca o tinha ouvido....

Até que o cansaço venceu, mas o sorriso não finou, manteve-se de dia pa dia como algo em ti que floresce e floresce...

De facto foi uma das melhores noites de sempre que o meu corpo vai pedir muitas vezes, que a minha alma vai exigir continuamente e eu como uma boa anfitriã deste dom que a vida me deu e como forma de agradecimento ao que o meu corpo me tem prestado ao longo da vida vou ter de ceder...

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